O reajuste do plano de saúde empresarial é uma das maiores fontes de apreensão para gestores de RH e donos de pequenas empresas todos os anos. Diferente dos planos individuais, os contratos coletivos empresariais não têm um teto de reajuste fixado pela ANS — o que gera dúvidas sobre o que é um aumento justo e o que pode ser considerado abusivo.
Neste guia, a JA Saúde explica como funciona o cálculo do reajuste, mostra os percentuais praticados pelas principais operadoras em 2026 e detalha o que fazer quando o aumento parece desproporcional.
Como funciona o reajuste do plano de saúde empresarial
Existem três tipos de reajuste que podem incidir sobre a mensalidade de um plano coletivo empresarial:
- •Reajuste anual: aplicado na data de aniversário do contrato, com base nos custos médicos e hospitalares do período (o chamado VCMH — Variação de Custos Médico-Hospitalares)
- •Reajuste por faixa etária: ocorre quando o beneficiário muda de faixa de idade, conforme as 10 faixas definidas pela ANS, com a última a partir dos 59 anos
- •Reajuste por sinistralidade: típico de planos coletivos, considera o quanto o grupo específico utilizou o plano no período — quanto maior o uso, maior tende a ser o reajuste desse grupo
Diferente dos planos individuais e familiares, que têm um teto anual definido pela ANS, os planos coletivos empresariais e por adesão não possuem esse limite regulamentado. Para entender as diferenças entre as modalidades de contratação, veja nosso guia sobre plano individual, familiar ou empresarial.
Percentual de reajuste por operadora em 2026
Com base em dados do ciclo maio/2025 a abril/2026 para contratos com até 29 vidas (pool PME), os percentuais praticados pelas principais operadoras foram:
| Operadora | Reajuste 2025-2026 | Reajuste ciclo anterior |
|---|---|---|
| Hapvida NotreDame Intermédica | 11,5% a 15,2% | 16% a 19,2% |
| Bradesco Saúde | 15,1% | 20,96% |
| SulAmérica | 15,23% | 19,67% |
| Unimed Nacional | 19,5% | 18% |
Vale destacar que a Hapvida apresentou uma das maiores reduções do mercado em relação ao ciclo anterior. Se você quer comparar a cobertura e o custo real da operadora, veja os detalhes completos do plano Hapvida para empresas e simule uma cotação para o perfil da sua equipe.
A Bradesco Saúde também reduziu o percentual de forma significativa neste ciclo — confira as linhas disponíveis no plano Bradesco empresarial. Já a SulAmérica mantém uma das relações mais equilibradas entre custo e rede — veja as opções no plano SulAmérica para empresas.
Quando o reajuste é considerado abusivo
Não existe um percentual único que defina automaticamente um reajuste como abusivo — a análise depende do contexto do contrato. Os principais sinais de alerta incluem:
- •Falta de transparência: a operadora deve ser capaz de apresentar a memória de cálculo do reajuste, explicando como chegou ao percentual aplicado
- •Desproporção à sinistralidade real: se o grupo teve baixa utilização do plano no período, um reajuste muito alto pode não ter justificativa técnica
- •"Falso coletivo": contratos empresariais com poucos beneficiários (geralmente 2 a 5, todos da mesma família) podem ser tratados pela Justiça como planos individuais disfarçados, sujeitos ao teto de reajuste da ANS em vez das regras mais flexíveis dos coletivos
Atenção ao "falso coletivo"
A jurisprudência brasileira já reconheceu, em diversos casos, que contratos coletivos com poucos beneficiários devem seguir o índice de reajuste autorizado pela ANS para planos individuais e familiares, em vez do percentual livremente negociado nos coletivos.
Como contestar um reajuste abusivo
Se você identificou um reajuste que parece desproporcional, o caminho recomendado segue esta ordem:
- Solicite a memória de cálculo: peça formalmente à operadora o detalhamento de como o percentual foi calculado
- Registre reclamação nos canais oficiais: ANS (0800 701 9656 ou site), Consumidor.gov.br e Procon, guardando os números de protocolo
- Busque orientação jurídica: se o aumento persistir sem justificativa adequada, um advogado especializado em Direito da Saúde pode avaliar a viabilidade de contestação administrativa ou judicial
O ideal, porém, é evitar chegar a esse ponto — e isso começa na escolha certa da operadora e do modelo de contrato desde o início.
Perguntas frequentes sobre reajuste do plano de saúde empresarial
O reajuste do plano empresarial tem teto da ANS?
Não. Diferente dos planos individuais e familiares, os planos coletivos empresariais e por adesão não têm teto regulamentado pela ANS — o percentual é negociado entre a empresa contratante e a operadora, com base na sinistralidade do grupo.
Empresas pequenas têm reajuste maior?
Não necessariamente maior, mas mais volátil. Grupos pequenos (até 29 vidas) costumam ser agrupados em carteiras (pool de risco) pelas operadoras, o que ajuda a suavizar o impacto de sinistros individuais isolados.
Como evitar reajustes abusivos no futuro?
Escolher uma operadora com histórico de reajustes mais estáveis e comparar o contrato a cada renovação são as formas mais eficazes de prevenção.
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